Autor: Wanderley Oliveira – pelo espírito Pai João de Angola

Capítulo: 5.7

Tema: A tristeza é coisa boa

 

A tristeza é mais um daqueles sentimentos considerados ruins e pesados para a maioria das pessoas, pois ela dói mesmo, mas, verdadeiramente não existem sentimentos ruins. São interpretados assim porque quase ninguém recebe uma educação para entender a finalidade sagrada de cada um deles e saber o que fazer quando eles tomam o coração.

É um sentimento que surge principalmente quando existem perdas. Perdas materiais, afetivas ou uma perda psicológica. Essa última é de vital importância nos processos do autoamor e preparo para uma relação de paz consigo, principalmente porque significa a desconstrução de uma convicção forte que você idealizou a respeito das pessoas e da vida.

Você enfrentará por muito tempo algum tipo de desconforto emocional em determinada situação que o desagrada e que vai lhe causar problemas, mas, por incrível que pareça, no momento da vida em que você amadurece e percebe o que fazer para superar essa imperfeição com real entendimento, verá que se transformou em alguém melhor em relação a ela. Mesmo avançando e tomando consciência de sua melhoria e das boas conquistas que pôde fazer nesse progresso, isso o deixará triste, porque essa imperfeição o nutriu por longo tempo.

Vamos dar um exemplo: você tem um filho que ama muito e pelo qual tudo fez para que fosse uma pessoa de bem, mas, em certa altura da vida, descobre que ele rouba, trafica ou tem outra conduta grave que considera inaceitável ou chocante. Tomar contato com essa realidade vai lhe causar profunda tristeza e decepção e, por sua vez, o levará a refletir na imagem que construiu de seu filho e que contraria todas as suas esperanças e expectativas em torno dele, causando muito sofrimento.

Neste caso, você tem duas opções: revoltar-se com ele e criar uma situação atormentada e controladora, acreditando que isso será capaz de transformá-lo, ou buscar entender que a decepção e a tristeza o levarão a rever seu papel na vida dele e o que esperar de sua conduta. Perceberá, assim, que seu filho é quem ele dá conta de ser e que seguirá com suas próprias escolhas, por mais que você deseje a opção dele por uma vida diferente. A partir disso, você construirá uma pessoa diferente dentro de si, mais realista e adequada às necessidades dessas funções, o que não quer dizer que não há tristeza nesse processo.

Parece um contrassenso, mas, para ser alguém melhor, a tristeza deve comparecer em seu corpo emocional. Você pode estar perdendo aquela sua parte ruim ilusória, mais sombria e que o faz sofrer tanto e gestar uma pessoa nova, melhor, mais consciente, e ainda assim se entristecer. Não lhe parece estranho?

Toda mudança na vida, mesmo recheada de coisas boas, traz um pouco de tristeza e ansiedade. Parece incoerente, mas não é. As pessoas acham que deveriam ficar felizes quando ocorrem mudanças para melhor, mas a vida emocional não tem essa dinâmica. Até quando trazem situações agradáveis, há uma tristeza e um medo embutidos porque, lá no fundo está havendo perda. Perda de coisas que você priorizava ou colocava como muito importantes e que, nesse momento novo, não terão o mesmo valor ou valor nenhum. Mudanças implicam em perdas e ganhos, e é nisso que reside o tanto de ansiedade e até de tristeza passageira nesse período de adaptação, visando a um futuro cheio de bons acontecimentos.

Nesse meio-tempo em que uma personalidade velha é substituída por uma outra melhor, existe um luto psicológico que diz: “adapte-se e aceite as mudanças que a nova personalidade lhe oferece”.  Daí surge um misto de sentimentos diante desse novo horizonte de si próprio.

É incrível! Até para melhorar há a natural presença da tristeza. Quando você aprende que o sentido dela é adaptá-lo às mudanças, parte para uma postura nova. Acredita mais no seu momento novo, coloca mais fé na nova pessoa na qual está se tornando, e assim segue sua vida, “enterrando” os velhos hábitos e fazendo o parto de novos comportamentos.

Se você usa a ansiedade para o bem nesse momento, ela não o joga no desespero.

Se você usa a tristeza para entender e aceitar o que perdeu, ela não o abate na depressão.

Viva a tristeza! Não há felicidade sem ela. Seu propósito é sagrado.