Aonde Leva esta Dança

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Vem, vem, seja você quem for.

Não importa se você é um infiel, um idólatra, ou um adorador do fogo.

Vem, nossa irmandade não é um lugar de desespero.
Vem, mesmo tendo violado seu juramento cem vezes, vem assim mesmo.
Vem, te direi em segredo aonde leva esta dança.
Vê como as partículas do ar e os grãos de areia do deserto giram desnorteados?
Cada átomo, feliz ou miserável, gira apaixonado em torno do sol!
Ninguém fala para si mesmo em voz alta.
Já que todos somos um, falemos desse outro modo. Os pés e as mãos conhecem o desejo da alma. Fechemos, pois, a boca e conversemos através da alma. Só a alma conhece o destino de tudo, passo a passo.
Vem, se te interessas, posso mostrar-te. Desde que chegaste ao mundo do ser, uma escada foi posta diante de ti, para que escapasses. Primeiro, foste mineral; depois, te tornaste planta, e mais tarde, animal.
Como pode isto ser segredo para ti?
Finalmente, foste feito homem, com conhecimento, razão e fé.
Contempla teu corpo – um punhado de pó – vê quão perfeito se tornou! Quando tiveres cumprido tua jornada, decerto hás de regressar como anjo; depois disso, terás terminado de vez com a terra, e tua estação há de ser o céu.
Não durmas, senta com teus pares.
A escuridão oculta a água da vida. Não te apresses, vasculha o escuro. Os viajantes noturnos estão plenos de luz; não te afastes, pois, da companhia de teus pares.
Faltam-te pés para viajar?
Viaja dentro de ti mesmo, e reflete, como a mina de rubis, os raios de sol para fora de ti. A viagem conduzirá a teu ser, transmutará teu pó em ouro puro. Sofreste em excesso por tua ignorância, carregaste teus trapos para um lado e para outro, agora fica aqui. Na verdade, somos uma só alma, tu e eu. Nos mostramos e nos escondemos tu em mim, eu em ti.
Eis aqui o sentido profundo de minha relação contigo, porque não existe, entre tu e eu, nem eu, nem tu.
Oh, dia, levanta! Os átomos dançam, as almas, loucas de êxtase dançam. A abóbada celeste, por causa deste Ser, dança.
Ao ouvido te direi aonde a leva sua dança.

Extraído da Obra “Masnavi” de Jalal Ud-Din Rumi

By |2017-02-01T00:08:45+00:00novembro 9th, 2016|Sem categoria|1 Comentário

Um Comentário

  1. Maria Cristina 18 novembro 2016 em 10:09 - Responder

    Texto verdadeiro e lindo.obrigada

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