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“Você sabe qual é a árvore que mais sofre para se desenvolver?
É o bonsai. Linda! Esteticamente perfeita. Mas sempre pequena.”
Inácio Costa Cruz

Foi numa simples conversa de atendimento que ele fez esta reflexão e me pediu que escrevesse e transmitisse a todos. Inácio, sempre tão direto, neste dia estava poético.

Pois bem, aqui vai um desdobramento da conversa. Tomo a liberdade de ampliar a reflexão, convidando a todos para que meditem sobre o tema também.

Uma árvore em seu pleno desenvolvimento é livre do ideal de perfeição da estreita mente humana. Ela cresce sujeita às intempéries, exposta ao vento, à chuva, ao sol.

Raízes se aprofundam na terra proporcionalmente ao crescimento de seus galhos, que buscam o céu. Bases compatíveis ao tamanho de sua frondosa copa são imprescindíveis para que ela possa atravessar períodos desafiadores em sua existência.

Ela apresenta formas inusitadas. Nem sempre a árvore livre fica simétrica, mas sem dúvida ela fica forte.

Oras! Uma árvore não está mesmo muito preocupada com o que dirão sobre ela. O importante na natureza é estabelecer-se com força e máxima vitalidade enquanto indivíduo, para que possa contribuir de forma efetiva para a sobrevivência de toda a sua espécie.

Vez ou outra uma catástrofe natural, como a queda de um raio, pode causar a morte de algumas delas. Além do próprio ciclo da Grande Mãe Terra, que faz o trabalho perfeito de retomar para si aquelas que já cumpriram seu papel.

Força e coragem, impulso e generosidade, fortaleza e exuberância. Uma árvore é um fenômeno a ser contemplado sem julgamento de estética ou valor. Uma árvore é. E isso basta.

Assim poderíamos ser, enquanto humanos, se não existisse a mente e sua função discriminatória e analítica.

Constantemente separando tudo em bom e mau, belo e feio, aprovado e reprovado segundo critérios pessoais carregados de crenças distorcidas, vamos colocando nas raízes pequenos arames para moldar nosso próprio desenvolvimento e também daqueles que vivem em nossa esfera íntima.

Vamos enrolando fios contentores em nossos galhos, podando folhas e controlando o recebimento de água e luz na tentativa de criarmos a árvore perfeita.

De fato alguns exemplares são dignos de reconhecimento e premiação. São cerejeiras, jabuticabeiras, romãzeiras, limoeiros e toda variedade que se pode transformar num belo bonsai. Mas todas pequenas, contidas em vasos ornados com miniaturas para simular jardins e paisagens que estimulam a imaginação.

Infelizmente, são ilusões.

O problema se agrava quando o efeito de encantamento passa. Pois a mente, que busca a perfeição incessante, logo estará insatisfeita novamente. E providenciará mais arames para moldar para cá e para lá novos galho e raízes, numa busca sem fim.

Neste momento dramático, sempre é tempo de refletirmos sobre nosso próprio crescimento. Estamos plantados em pequenos vasos ou num vasto campo onde nossa própria natureza pode se expressar livremente?

Onde estão nossas raízes? Em vasos rasos ou em solo fértil e profundo?

Quando nos permitimos a liberdade de sermos quem somos em essência, honramos nossa missão no planeta e compreendemos o amor maior do Criador.

Não é muito inteligente de nossa parte exigirmos que uma jabuticabeira dê pitangas, não é mesmo? Então porque fazemos isso com seres humanos?

Percebe como essa distorção é uma violência profunda consigo mesmo e com todos os seres?

Todo mundo ao longo da vida passa por isso. Quanto mais se teve na infância um modelo de educação que tentava lhe moldar e adequar ao ideal dos pais, mais se enraíza um sensor interno que atrapalha o livre desenvolvimento do Ser, manifestando-se como vozes julgadoras e exigentes.

Não estou dizendo que não devemos nos esforçar para nos melhorarmos como seres espirituais, nada disso. A reforma íntima pede transformação pessoal e é imprescindível para a evolução da humanidade como um todo.

Falo sobre cada um reconhecer sua natureza para que possa oferecer o melhor de si mesmo à espécie.  Daí a importância do autoconhecimento.

E que tal agora mudarmos um pouco o foco? Do indivíduo, vamos para nós – Espaço Caminho de Ascensão – como coletivo.

Nós também nos encontramos em uma casa que já não comporta mais a amplitude que tomou o nosso trabalho. Estamos chegando ao limite do que esse pequeno vaso pode oferecer. Somos uma árvore com potencial de crescimento infinito, pois nosso fruto é o amor.

O Espaço quer crescer. E você?

Assim como espero que nossa árvore possa dar frutos a mais frequentadores, espero que cada um de nós possa crescer como pessoa, com menos distorções e adequações desconfortáveis; e muito mais liberdade, autenticidade e responsabilidade.

Que assim seja!

Autora: Adriana Schier – trabalhadora do Espaço Caminho de Ascensão, psicoterapeuta, taróloga e caminhante do Ser Completo.

By |2018-11-04T20:06:09+00:00novembro 4th, 2018|Espiritualidade|0 Comentários

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