O Desenvolvimento mediúnico ocorre uma vez ao mês e funciona nas dependências do Espaço Caminho de Ascensão.

Preparação

Agenda do dia

o 18:00 – Abertura da casa aos frequentadores. Início da preparação da sala aos desenvolventes;
o 18:30 – 19:30 – Arrumação da mesa com todos os pertences selecionados pelos desenvolventes às entidades;
o 20:00 – Início do desenvolvimento;
o 22:30 – Fechamento da área social da casa. Início do encerramento;
o 22:45 – Encerramento do atendimento. Dispersão dos frequentadores. Início do fechamento da casa;
o 23:00 – Fechamento da casa.

Cozinha

o Preparação do café para atendimento e frequentadores;
o Base para distribuição de produtos alimentícios para os trabalhos espirituais;
o Estoque dos utensílios de uso dos trabalhos espirituais.

 Secretaria

o Impressão de todo material utilizado no desenvolvimento.

Cambonagem

o Preparo do salão de atendimento

 Altar principal com velas, água na fonte, flores organizadas;
 Altares das entidades com bebida, comida, incenso e flores;
 Bancos e cadeiras distribuídos;
 Músicas e iluminação preparadas;
 Mesa com os utensílios das entidades.

o Controle da planilha de desenvolventes;
o Auxílio às entidades para atendimento dos frequentadores com reposições dos insumos e apoio para casos de intervenção energética;
o Localização do frequentador para observação;
o Auxílio às entidades que chegam ou vão embora;
o Desmonte das salas após o atendimento.

Mediunidade

Por Rubens Saraceni
Apostila do Colégio de Umbanda Sagrada Pena Branca
Pai Alexandre Cumino

A mediunidade é a qualidade de toda pessoa que é médium. As faculdades mediúnicas têm muitas formas de aflorarem e costumam processar-se em diferentes níveis conscienciais, e até níveis sub ou hiperconscienciais.

Mediunidade é sinônimo de sacerdócio espiritual. Temos na mediunidade, um elo de comunicação com todo um plano da vida que é invisível à maioria e só uns poucos clarividentes podem vê-lo e descrevê-lo.

A mediunidade de inspiração e incorporação é as mais comuns e suas práticas são tão antigas que a origem delas se perde no tempo.

Mediunidade nos dias atuais, já faz parte do dia-a-dia das pessoas e não é mais o tabu de alguns séculos atrás, quando médiuns eram torturados, presos ou queimados nas fogueiras da Inquisição que os julgava bruxos, feiticeiros ou seres possuídos pelo demônio.

Hoje mediunidade é só uma forma de acelerar a evolução espiritual, tanto dos médiuns quando dos espíritos.

Apostila do Colégio de Umbanda Sagrada Pena Branca

Pai Alexandre Cumino

Mediunidade e Médiuns

Mediunidade é a capacidade de intermediar entre o plano material e o espiritual.

Reconhecer nossa mediunidade é reconhecer que de alguma forma, podemos sentir, ver ou interagir com o que está no plano espiritual.

O médium é aquele que intermedia, que tem a capacidade de levar ou trazer informações entre a realidade material e as diversas realidades, planos e dimensões espirituais, naturais e divinas.

O que chamamos de mediunidade sempre existiu no ser humano e, esta capacidade é algo natural.

O que hoje chamamos de médium na antiguidade foi chamado de xamã e em cada cultura se reveste de uma identificação diferente.

Em maior ou menor grau, todas as pessoas são médiuns. Nem todos são médiuns de incorporação ou psicografia, mas todos sentem de alguma forma o que é do mundo astral, alguns em sonho, outros por uma percepção ou ainda aquela “intuição”.

Sentir uma presença indesejada ou uma energia ruim, por exemplo é algo mediúnico.

Quantas vezes acordamos bem e durante o dia encontramos um amigo que só faz reclamar da vida; após o encontro, nos sentimos energeticamente pesados, com cargas negativas (“carregado”) que foram absorvidas mediunicamente e até dores de cabeça. Ainda ouvimos da boca do amigo que só de te encontrar se sentiu melhor.

Isso é uma transferência de energia que acontece entre nossos campos magnéticos (campo áurico), o que é um fenômeno natural em que uns tem maior capacidade de absorção; são verdadeiras esponjas de energia, ficando depois a necessidade de descarregar estas energias para voltar a se sentir bem consigo mesmo.

O ideal é este médium ter recursos para se descarregar, e passar por uma educação mediúnica em que não fique tão sujeito ou vulnerável as energias dos ambientes e pessoas.

Tipos de mediunidade (praticadas no Caminho de Ascensão)

Psicografia

É a escrita mediúnica, na qual os espíritos escrevem por meio do médium, e que pode ser feita com a entidade manipulando mecanicamente os movimentos da mão do médium, ou por meio de ideias que vão lhe aparecendo na mente. Alguns médiuns escrevem por meio de clariaudiência (audição mediúnica) e outros registram mensagens psicofônicas.

Psicofonia

É a fala mediúnica, a comunicação por meio do aparelho vocal no médium.

Incorporação

Semelhante a uma possessão, é um fenômeno em que a entidade espiritual praticamente encarna no médium. Não é apenas uma psicofonia e, sim, toda uma caracterização na qual o médium assume todos os trejeitos da entidade espiritual. É um fenômeno de transe mediúnico no qual o médium fica em estado alterado de consciência para dar a devida passividade a um outro ser que lhe toma o controle de suas ações. Esta mediunidade em específico é a mais utilizada na Umbanda.

Muito mais que a simples mecânica de transmitir mensagens dos espíritos (psicofonia) tendo em vista que o médium traz um conjunto de trejeitos que identifica a qual linha pertencem (preto-velho, caboclo, baiano, marinheiros, entre outros), e qual o tipo de trabalho que realizam.

Corrente

Mediunidade de equilíbrio da energia da sessão. Seus representantes no Espaço são os cambonos e demais trabalhadores que mantém a energia controlada.

Desdobramento (ou projeção astral)

É o ato de sair do corpo material com seu corpo perisspiritual para realizar tarefa no astral. Médium de desdobramento é aquele cujo espírito tem a propriedade ou faculdade de desprender-se do corpo, geralmente em reuniões. Desprende-se e excursiona por vários lugares, na Terra ou no Espaço, a fim de colaborar nos serviços consolando ou curando.

A Mecânica da incorporação

Alguns médiuns enquanto incorporados são semiconscientes e seu corpo perispiritual, duplo etérico, fica um pouco deslocado do eixo normal, onde tudo se processa como se fosse um sonho e, ao desincorporar o guia, seu corpo volta ao eixo sofrendo um pequeno “choque”, como de quem acabou de acordar, e assim esquecendo o que aconteceu enquanto esteve incorporado, mas não inconsciente.

A maioria dos médiuns são semiconscientes e, por esta razão precisam passar pelo desenvolvimento mediúnico, em um período que varia de pessoa para pessoa. Embora alguns se digam conscientes, mal se lembram das consultas ou de quem realmente tomou ou deixou de tomar passes com seus guias.

Sintomas da Incorporação

É importante conhecer os sintomas da incorporação pois eles se manifestam independente da pessoa ter consciência de que é médium de incorporação.
A pessoa que tem a mediunidade de incorporação latente, adormecida, não lapidada ou mal trabalhada, costuma apresentar alguns sintomas comuns. A grande maioria destes médiuns é muito sensitiva, com grande capacidade de sentir as dores alheias.

Podem sentir, ver e ouvir o que os outros não sentem, não veem e não ouvem.

É comum que a mediunidade de incorporação seja acompanhada de outros dons mediúnicos.

Grandes partes dos médiuns de incorporação têm a capacidade de atrair, de puxar a energia que acompanha as pessoas ou os ambientes.

Estes médiuns devem procurar o equilíbrio interno para não ficar tão sujeito a estas influências externas. A mente deve assumir o controle da mediunidade.

Uma pessoa equilibrada e centrada não fica absorvendo cargas de todos os lugares por onde passa.

Estes médiuns devem se educar para perceber o que está absorvendo, descarregar e encaminhar sem desequilibra-se.

A isto chamamos de maturidade mediúnica o que é resultado de trabalho e educação.

Recomendações

Não basta desenvolver a mediunidade de incorporação, não basta aprender a incorporar espíritos, é fundamental, preciso e necessário passar por uma educação mediúnica, ter cultura mediúnica, estudar e compreender o fenômeno, suas causas e efeitos.

É imprescindível um trabalho de autoconhecimento, sentir o que acontece com você e adquirir técnicas para se autotratar, para se limpar energeticamente, descarregar cargas negativas e encaminhar espíritos que possam estar lhe perturbando.

Uma vez desenvolvida a mediunidade você não é escravo dela, simplesmente porque tem hora e local para realizar suas atividades mediúnicas. Você deve aprender a lidar com o que sente e ter as rédeas deste dom em suas mãos.

Porque desenvolver?

Muitos são as justificativas e apelos feitos para se optar pelo desenvolvimento da mediunidade:

 Porque nossos guias precisam de nós para evoluir;
 Porque é nosso carma;
 Porque fizemos um pacto antes de encarnar;
 Para fazer a caridade

 

A melhor e mais importante razão para desenvolver nossa mediunidade é ter este contato diário, constante e permanente com nossos guias espirituais.
Desenvolver nossa mediunidade e ter este contato com a espiritualidade pode dar um sentido de ser para as nossas vidas.

Nossos guias nos amam, são nossa família espiritual. Antes de encarnarmos, estávamos em algum lugar, nós viemos de uma outra realidade e por meio da mediunidade entramos em contato com esta realidade que pode ser chamada de céu, mundo astral, Orum, Aruanda ou outras denominações. Entramos em contato com aqueles que nos amam e querem o nosso bem.

Nossa família espiritual quer saber em que condição chegamos neste mundo, em qual família estamos, em qual lar vamos nos desenvolver, quais as nossas condições físicas, emocionais e culturais. Querem nos ajudar em nossas dificuldades, nos orientar, nos amparar quando for possível e necessário. Desta família apenas alguns têm condição, licença e autorização para vir nos ajudar, estes são nossos guias espirituais. Eles nos amam da mesma forma ou mais até que nossa família carnal.

Um bom motivo para desenvolver nossa mediunidade é poder conhecer e conviver com nossa família espiritual, poder contar com sua presença, amparo e apoio em nossas vidas. Nem sempre eles podem mudar o curso de nossas vidas, nem sempre podem tirar as pedras de nosso caminho, não podem interferir em nosso livre arbítrio. Mas ficam felizes com nossas alegrias e tristes por nossas dores e sempre estão prontos a ajudar quando nós damos condições para isto.

Insegurança e Conflitos

Entre as primeiras incorporações e uma incorporação segura, realizada com maturidade, costuma existir um caminho a ser percorrido. Um caminho de inseguranças e conflitos, um caminho de dúvidas e medos, um caminho que quase todos os médiuns percorrem.

Um médium pode incorporar logo que pisa em um centro ou pode precisar de semanas e até meses para ter uma primeira manifestação de incorporação.

O primeiro esforço que ele sente quando começa incorporar é o tempo que permanece incorporado, que pode ser de alguns minutos até cerca de uma hora. No primeiro momento parece difícil permanecer incorporado; o esforço para fazê-lo pode ter sido grande e o médium pode pensar que permanecer incorporado é permanecer nesta energia de conflito e tensão que há no momento que entra em transe.

Os conflitos que sofrem neste momento estão ligados a questionamentos como:

 Se eu estou mesmo incorporado, porque ainda continuo aqui?
 Sou eu ou o guia que está fazendo estes movimentos?

O questionamento é importante e revela a preocupação em não querer enganar a ninguém nem a si. Isto é saudável até o ponto em que começa a atrapalhar e perturbar a mente do médium.

Outra dificuldade é o ato de movimentar-se com desenvoltura, abrir os olhos e falar quando já está incorporado.

Estar de olhos fechados você continua vendo e ouvindo tudo ao seu redor e isto aumenta o questionamento.

Costuma levar um tempo para o guia incorporado falar por meio do médium ainda muito inseguro. Mesmo que não consigam falar eles começam a dizer coisas desconexas para soltar a voz e a garganta do seu médium, antes muito tenso. (Os caboclos gritam, baianos dizem “oxe” e pretos velhos rezam baixinho).

Há uma distância entre incorporar, falar e dar uma consulta. É preciso antes ter segurança e confiança para que as palavras ditas sejam as palavras da entidade espiritual e não do médium. Para o guia falar é importante o médium aprender a silenciar.

É muito comum no inicio o médium ter uma incorporação “forte”, agressiva, suada, visceral, abrupta, tensa, nervosa e depois de algum tempo se tornar algo bem mais sutil e até tranquilo. Há nestes casos médiuns que antes não tinham dúvidas de estar incorporados e passam a ter quando a comunicação fica sutil ao ponto de não parecer incorporado. Pensam que seus guias estão fracos.

O guia não fica forte ou fraco e sim, a forma como se sente a incorporação é mais suave e tranquila ou abrupta e tensa. Uma incorporação suave e tranquila não tem qualidade inferior a uma incorporação intensa.

Enquanto ficar questionando a tudo, seu desenvolvimento mediúnico se estagnará e a solução é parar de questionar e entregar-se.

A chave para esta questão é a confiança, não tem outro caminho. Este processo pode ser longo ou curto dependendo de como cada um encara a sua insegurança.

Segurança demais pode atrapalhar pois um pouco de crise faz parte das etapas e os questionamentos são saudáveis, mas insegurança demais também atrapalha, paralisando o processo de desenvolvimento.

Compromisso Mediúnico

O médium que irá se desenvolver irá lidar com vidas humanas, muitas vezes em momentos de dor e perdas, outros em conflitos existenciais e questionamentos de valores. Deve ter ao menos comprometimento com o compromisso assumido ou que pretende assumir.

Se a tarefa mediúnica não é prioridade em sua vida, então podemos concluir que dificilmente realizará um bom trabalho para si e para os outros, pois não basta ter o fenômeno da incorporação e deixar que um espírito faça tudo e assuma todas as responsabilidades, como se este trabalho não dependesse também de uma parceria entre o médium e seus guias que necessitam dele para trabalhar e vice versa.

Sem comprometimento, o trabalho espiritual fica para segundo plano. Quando se dá conta, já não se consegue mais ter a frequência desejada no compromisso assumido. Quando chega ao ponto de dar desculpas a si mesmo e aos outros por suas faltas, temos um sinal de alerta.
Somos médiuns para oferecer o dom a quem necessita.

Aquele que mais pretende oferecer que receber é médium, aquele que pretende mais receber que oferecer é consulente.

Comprometimento mediúnico é comprometimento com a vida o contrário pode indicar um autoengano, autossabotagem ou simplesmente que o caminho seja outro, podendo ser na mesma religião ou em outra.

Ninguém pode saber esta resposta a não ser você mesmo, com a força do seu coração e do seu ser junto ao “Eu Superior” e Deus.

 

Imagem: Projetado pelo Freepik