Voluntariado ou o serviço de voluntários é o conjunto de ações feitas de forma espontânea, sem coação, por vontade própria. Mas será que compreendemos verdadeiramente, essa força que nos move em direção a algo?!

A vontade humana é uma força interna que possui um imenso potencial

Ela está por trás de todas as decisões humanas, na aplicação dos meios necessários à realização daquilo a que alguém se propõe e na persistência em se realizar determinada tarefa, apesar de todo e qualquer obstáculo à realização da mesma.

Porém, a vontade quando em ação, vem contagiada pelas qualidades daquele que quer. Fica então a pergunta: qual é a qualidade dessa minha força interna e que me leva a uma ação voluntária? O que me leva a trabalhar, voluntariamente, no Espaço Caminho de Ascensão?

Segundo alguns autores (Assagioli, 2013), a vontade pode ser forte, hábil, boa, amorosa, transcendente e universal, ou seja, podemos imprimir em nossos atos voluntários qualquer uma destas qualidades.

No entanto, uma ação voluntária forte e hábil pode ser bastante destrutiva

É só recordarmos a força que podem ter aqueles que transitam na Vida por caminhos questionáveis do ponto de vista dos valores: uma vontade forte e hábil derrubou as “Torres Gêmeas” em 2001, na cidade de Nova York…

Todas as vezes que usamos a vontade para a realização de um desejo personalista, egocêntrico, muito possivelmente veremos um entrechoque de vontades, uma competição por domínio nos mais variados campos. E isto acarreta uma perda lamentável de energias físicas, psicológicas e espirituais, de tempo, até de dinheiro; sem contar o desgaste e sofrimento humanos gerados por tais entrechoques.

Por esta razão, é fundamental que saibamos fazer escolhas, em todos os campos da Vida, escolhas que se harmonizem com a felicidade de todos e com o bem comum dos grupos e da humanidade. Isto exigirá de cada ser humano uma tarefa transformadora de si mesmo, no sentido da disciplina e do saber escolher.

Saber escolher de forma coerente com o amor proposto pelo Cristo é escolher de forma a não pensar apenas no melhor para si mesmo.

 

É escolher de forma a incluir o outro, com vontade em compreender suas razões; é ser empático. Estas são posturas coerentes com uma vontade boa. Assim, ação voluntária boa é a que nasceu de uma intenção positiva, de fazer o bem. Portanto, podemos dizer que ela é uma expressão do amor e, consequentemente, filantrópica.

 

Filantropia é uma palavra de origem greco-romana

Significa “Amor à humanidade; humanitarismo; caridade” (Dic. Aurélio, 1986). A relação voluntariado-filantropia existe desde sempre e o nosso Espaço – o Espaço Espiritualista Filantrópico Caminho de Ascensão – traz em seu nome sua missão, pois declara de forma concisa seu propósito, a filantropia, consequentemente, o amor à humanidade e a caridade.

“Em recente estudo realizado na Fundação Abrinq pelos Direitos da Criança, definiu-se o voluntário como ator social e agente de transformação, que presta serviços não remunerados em benefício da comunidade; doando seu tempo e conhecimentos, realiza um trabalho gerado pela energia de seu impulso solidário, atendendo tanto às necessidades do próximo ou aos imperativos de uma causa, como às suas próprias motivações pessoais, sejam estas de caráter religioso, cultural, filosófico, político, emocional.” (http://www.voluntarios.com.br/oque_e_voluntariado.htm)

Segundo Kardec (O Evangelho Segundo o Espiritismo – Cap. XV, item 5), todos os deveres do homem resumem-se na máxima:

“Fora da caridade não há salvação”.

A salvação aqui refere-se, entre outros, a estar a salvo do sofrimento gerado como consequência de ações egoístas, personalistas, orgulhosas. Ela é um reflexo do que propôs Jesus ao resumir toda Lei e todos os profetas nas seguintes palavras: “Amarás a Deus de toda a tua alma e ao próximo como a ti mesmo”. Ambas as frases realçam o princípio da igualdade de todos os seres, o princípio da fraternidade (somos todos irmãos), independente de nossas diferenças.

O apóstolo Paulo, em sua I Carta ao povo de Corinto, destaca o valor da caridade quando declara: “Agora, pois, permanecem a fé, a esperança, a caridade, estas três; mas a maior delas é a caridade. (Coríntios I, 13:13. Bíblia de Jerusalém). Vale lembrar que em muitas versões, ao invés da palavra caridade, no texto de Paulo aparecerá a palavra amor. Interessante pensar que são tomadas como sinônimos.

“[…] Coloca, assim, sem equívoco, a caridade acima até da fé. É que a caridade está ao alcance de todo o mundo, do ignorante, como do sábio, do rico, como do pobre, e porque independe de qualquer crença particular. Faz mais: define a verdadeira caridade; mostra-a não só na beneficência, como também no conjunto de todas as qualidades do coração, na bondade e na benevolência para com o próximo.” (1) (http://bibliadocaminho.com/ocaminho/Tematica/EE/Estudos/EadeP1T3.4.3.htm)

A importância, portanto, do ser voluntário e filantropo, ou seja, caridoso, é porque isto nos auxilia a desenvolver a alegria em servir sem a espera da retribuição, o que em outras palavras significa desenvolvermos o desapego ao reconhecimento de nossas ações, desenvolvermos a humildade curadora do orgulho e da vaidade. A persona assim, vai se diluindo e dando espaço para que em nossa alma se ampliem e plenifiquem as verdades espirituais da vida. A beneficência “deixa de ser uma virtude metafísica para tornar-se uma conquista intelecto-moral, que dinamiza os valores éticos e espirituais (…)” (Joanna de Ângelis, 2000, in Jesus e o Evangelho – À luz da psicologia profunda, pg 119)

Servir, portanto, contribui “em favor de um futuro contexto humano menos enfermiço e egóico” (idem, pg 120). Isto é o mesmo que dizer que o servir com o Cristo implica em pensamentos de amor, sentimentos compassivos e ações desapegadas, gentis e empáticas. E em um Espaço como o nosso, temos várias oportunidades para viver este tipo de servir: na maneira como recebemos quem chega à Casa, seja na recepção, no como abrimos o portão e cumprimentamos quem chega; na boa-vontade com que executamos qualquer atividade, da Cantina à prática mediúnica; nas palavras que proferimos – seja nas tarefas que desenvolvemos ou nas conversas que alimentam uma esfera psíquica mais ou menos positiva, enfim, temos oportunidades incontáveis de contribuir, voluntária e amorosamente para que nosso Espaço seja um local de conforto e paz.

E então, qual é a sua motivação em ser voluntário no Espaço Caminho de Ascensão?!